QUANDO EU PARTIR...
Quando eu partir ficará o quadro na parede.
O quadro que eu pintei naquela tarde tão distante.
Naquela em que lágrimas insistiam em correr no meu rosto.
Talvez só agora eu esteja forte para contar que chorei ao
pintar aquela tela.
A gente deve esquecer certas coisas.
Eu chorei.
Sensibilidade?
Infelicidade?
Não importa mais.
O quadro existe.
E o que me deixava tão triste não me afeta mais.
Ainda sou sensível.
Ainda choro.
Mas a dor de outrora ignoro.
É morta. Finita.
A tela é bonita?
Nem sei se é.
Tem um significado. Eu a pintei porque palavras não
traduziriam o que eu sentia naquela hora.
Então a pintei.
Quando eu partir ela ficará e este pensamento me leva a
viver no hoje.
Tudo é morto. O momento que vivemos é que existe. O resto
inexiste.
Quando eu partir aquela tela ficará...
SONIA DELSIN

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